quinta-feira, 18 de julho de 2013

Pollyana e alguns direitos do consumidor.

Estou in love com Montréal, ou melhor, j'ai tombé d'amour pour Montréal! 
Todos os dias descubro algo incrível, me encanto com as flores por todos os lados, no público e no privado, com os parques bem cuidados e cheios de lazer, com os festivais no invernos ou verão (principalmente), com a liberdade que sinto na maneira de me vestir, onde ir, a que horas voltar, por onde passar. 
Quase que diariamente escrevo no meu Facebook alguma coisa que remete às essas sensações e que acaba dando uma impressão de que tudo aqui é perfeito e que estou com uma crise de "pollyanismo":)
Um dia dessa semana resolvi reclamar de algo, pra não acharem que só falo bem e que não vejo os defeitos, apesar, de no blog, já ter citado alguns. E não é que uma amiga, que mora aqui há mais de 20 anos me corrigiu e disse algo incrível e impressionante sobre a minha crítica, o que fez com que ela caísse por terra. E, viva Montréal!
Reclamei que aqui, por frequentes vezes, ficamos sabendo de alguma oferta, no mercado, de eletrodoméstico e tal e, quando vamos comprar, desolé, c'est fini! Ás vezes o produto está em exposição, olhamos, testamos e na hora H não tem em estoque.
Minha amiga me disse que se a oferta não diz até acabarem os estoques, você pode ir ao caixa e reclamar que o produto não existe e pedir un bon differé, isso significa que você terá um mês pra comprar o produto com o preço especial! Outra coisa que ela me ensinou é que se compramos um procuto e, nos próximos dias verificamos que ele entrou em oferta, podemos retornar na loja e pedir o reembolso da diferença, no caso dela, uma vez, ela fez isso com seu jogo de quarto e recebeu de retorno 850$! E tem mais, se sabemos que algo entrará em oferta, por exemplo, amanhã (aqui recebemos jornaizinhos de oferta em casa, semanalmente, na véspera dela começar) e que ela valerá até o final do estoque e temos medo de não encontrar o produto por qualquer motivo, podemos ir na loja hoje, adquirimos o produto pelo preço normal e, amanhã, pedimos o reembolso da diferença+taxas. 
Então, desculpe-me todos, pois continuarei muito feliz sendo Pollyana e, espero que por muito tempo!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Coisas que fazemos em paz aqui

Quando mudamos sabíamos das dificuldades que enfrentaríamos, mas também de algumas coisas que gozaríamos, com ou sem dinheiro :) E assim tem sido.

Numa madrugada quente de primavera, marido decide naviguer sur internet olhando sites pra procurar alguma oferta interessante de TV.(Chegamos há 4 meses e estávamos sem TV)
Ele encontrou um modelo que gostou mas, aquele era o último dia da promoção (uma quinta-feira) e, em nenhuma loja de Montréal tinha disponível, o lugar mais próximo era em Laval. Assim, após o trabalho, ele retornou pra casa, pegou o carrinho de compras e foi pra Laval. Voltou, mais de 21:30h, sozinho, com nada disfarçando a caixa da dita, tranquilo a não ser pela dificuldade de carregar o aparelho sozinho e meios disconforme no carrinho. Inacreditável! Em SP, se ele fizesse isso ficaria sem tv, sem roupa, carteira, talvez até sem vida...

No final de semana passado toda cidade estava voltada para o Grand Prix do Canadá, que ocorre em Montréal. Ao mesmo tempo estava acontecendo um festival na Rue Crescent  esquina com a Ste. Catherine (FESTIVAL LG DU GRAND PRIX 2013). Esse evento abre a temporada de festivais de verão da cidade. Então, na sexta depois da minha francisação, eu e 2 amigas combinamos de nos encontrarmos e irmos conferir. Foi muito bom!!!
Chegamos na hora do show de uma banda cover do Queen, maravilhosa! Nos divertimos muito! Dançamos, cantamos, rimos, conhecemos e conversamos com a irmã da cantora da banda que estava ao nosso lado, super animada! Coloquei minha mochila e a caixa com um sapato que havia comprado, no chão, sem medo, com espaço pra dançar e me divertir. Fiquei maravilhada! Estávamos num evento público, em pleno centro da cidade, ouvindo música de qualidade, sem os maridos, sozinhas e seguras, sem empurra-empurra, sem vermos briga, sem aperto, sem gritaria, fiquei até emocionada!
No sábado à tarde, fui com o marido pra tentarmos pegar um autógrafo do Emerson Fittipaldi (nunca faria isso no Brasil, imagine a zona!), chegamos atrasados, mas a tempo dele passar na minha frente e fotografá-lo :) Conhecemos uma família de brasileiros recém-chegados, batemos papo, fomos na Chapters livraria/papelaria, tomamos um café na Starbucks de lá, andamos, passamos no Five Guys onde comemos um lanche antes de retornamos pra casa, numa noite de garoa, agitada e feliz! 
E, no sábado de manhã, eu já tinha ido de metrô e à pé, ao Marché Sá et fils pra comprar comidinhas do Brasil e picanha!!! Levei o tal carrinho de compras, essencial pra quem não tem carro, fiz minhas compras, voltei de ônibus, tranquilamente, admirando a cidade e surpresa de como é diferente de SP.




Domingo, após o almoço, como tem sido todos, quando o tempo colabora, fomos pedalar pelo Canal Lachine, passamos pelo Parc Angrignon, admiramos a beleza da vida! Sentimos o vento no rosto e a alegria no coração! na volta, passamos na Brasserie St Ambroise, que fica ao lado da ciclovia, tomamos um chopp, comemos alguma coisa e continuamos o nosso caminho, até a estação St. Henri, onde resolvemos voltar de metrô. Bateu um 'banzo":)

Mas nem tudo são flores...O sistema de metrô de Montréal passou por uma mudança no seu sistema informatizado e isso tá dando uns paus e contratempos! Algumas vezes por semana os trens atrasam, a linha laranja (a minha...) pára. Por 2 vezes vim do Cégep até em casa a pé, uma hora de caminhada! Até tentei pegar o ônibus, mas numa situação dessa, imaginem como não está o ponto de ônibus...
Outra coisa é a dificuldade de se encontrar um médico de família, a quantidade de horas que se tem que esperar pra ser atendida no hospital, ou mesmo na clínique privé. Longe do perfeito!

Mas continuo afirmando que a felicidade, a paz, as oportunidades, os parques,...tudo supera os inconvenientes e, até mesmo a saudade! Isso torna menos doída a saudade, as dificuldades do idioma, o desemprego, o começar de novo! 
E posso afirmar que amo o Canadá, amo Montréal!!! E que a cada dia fico mais revoltada com o Brasil, em que o clima é sempre bom, em que na terra tudo dá, que é lindíssimo e cheio de praias, mas sem vergonha, sem caráter, sem amanhã. Meu país que eu amo e que sempre será meu, mas que nunca me ofereceu a possibilidade de tornar meus sonhos reais e um dia de paz e como o que vivo aqui!






segunda-feira, 6 de maio de 2013

Estamos vivos

Oi!!! Tô viva:)
Passei pra contar as novas. 
Comecei a francisação em tempo integral  dia 1. Por enquanto, não deu pra avaliar direito e formar uma opinião, por causa do curto período de tempo, mas posso dizer que a turma é bem heterogênea, dos mais diversos países, sendo, em sua grande maioria, os de língua espanhola, na minha sala uns 60%. Temos 2 professores, uma que fica conosco durante 4 horas, que enfoca a gramática, escrita, etc, e, outro, que é chamado de animateur e que foca mais a fala, atividades culturais, uma aula mais dinâmica. A profa. estou achando sem sal e sem açúcar e meio devagar, mas vamos ver se isso mudará, meus colegas são da mesma opinião. Já o prof. é bem legal, e a aula é mais animada, passa mais rápido e sem sono.
Os dias estão belíssimos!! Acima de 20 graus, céu azul e limpo, as folhas brotando nas árvores e as flores nos jardins!!! Um espetáculo! Demorou, mas a neve foi vencida!
Tenho saído da aula e ido pros parques, porque é muito desperdício ficar em casa com tudo isso lá fora, além de segurança, paz, ciclovias, parques....
Ontem, eu e meu marido fomo até o parque Jean Drapeau de bicicleta. Fomos pela ciclovia do Canal Lachine, passamos pelo Habitat 67 e seguimos até o Parque. Vista linda, dia perfeito! (Fotinha ao lado)
Mon mari está a cada dia mais adaptado ao trabalho. Na sexta, da 3, fez um mês que começou. Está gostando bastante!
Voltamos na Ikea e compramos os móveis que queríamos, ainda faltam várias coisas (sofá, tapete, TV, rack...), mas são menos essenciais e vamos adquiri-las mais lentamente e, com o tempo, tudo vai ficando arrumado e as coisa tendo seu devido lugar.
Estou gostando muito da casa que moramos e adoro a rua e o bairro!
Esta semana devemos receber nossa carte da Assurance Maladie.
Montreal é linda, com neve ou sol. Adoro!!! E estou aproveitando bastante!
Mas, não vou mentir, não é fácil imigrar, mesmo com tudo o que o Canadá, Québec e Montréal oferecem. A adaptação ao idioma é difícil (pior, pq eu não tenho o inglês), sentimos falta de alguns ingredientes brasileiros, de alguns produtos, da família, amigos, do conhecimento territorial e legal que tínhamos. Também não é fácil retornar a sala de aula pra aprender a falar, ler e escrever. Ficar desempregada, meio  perdida. Mas, tudo tem valido a pena, até agora.
Ninguém disse que seria fácil, mas a dor é superada pelo prazer e a pela paz de aqui estar.

Au revoir!